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Injeção Intraocular: como é feita, dor e cuidados pós-procedimento

Escrito por Luiz Roisman

“Injeção no olho” é uma das expressões que mais gera ansiedade em pacientes com doenças da retina. Mas a realidade é bem diferente do que a maioria imagina. O procedimento é rápido, seguro e, na grande maioria dos casos, praticamente indolor. Entender como funciona ajuda a chegar ao consultório muito mais tranquilo.

O que é a injeção intraocular?

A injeção intraocular — também chamada de injeção intravítrea — consiste na aplicação de um medicamento diretamente dentro do olho, no espaço vítreo. Isso garante que a droga chegue com alta concentração exatamente onde precisa agir: na retina.

É o tratamento principal para:

  • Degeneração macular relacionada à idade (DMRI) úmida
  • Edema macular diabético
  • Oclusões venosas da retina
  • Edema macular inflamatório
  • Coriorretinopatia serosa central neovascular

Os medicamentos usados são principalmente os anti-VEGF — que bloqueiam o crescimento de vasos anormais e reduzem o vazamento — e os corticoides de ação prolongada (implantes), para casos mais inflamatórios ou refratários.

Uma perspectiva de quem pesquisou esses medicamentos na fonte

Uma nota sobre minha experiência com as injeções intra vítreas: Os anti-VEGF que usamos hoje para tratar DMRI, edema macular diabético e oclusões venosas foram em grande parte desenvolvidos e validados clinicamente no Bascom Palmer Eye Institute. Durante meu research fellowship com o Dr. Philip J. Rosenfeld — um dos pioneiros mundiais no uso de anti-VEGF para DMRI e figura central nos primeiros ensaios clínicos —, participei de estudos sobre o monitoramento por técnicas de imagem modernas e complexas, disponíveis na nossa clínica atualmente, para guiar decisões de retratamento. Essa experiência moldou diretamente a forma como planejo o tratamento de cada paciente: não como um protocolo fixo de aplicações, mas como uma estratégia individualizada, baseada em imagem e na resposta de cada olho.

Isso significa que quando discutimos com você o intervalo entre injeções, a troca de medicamento ou o momento de espaçar o tratamento, essa decisão é fundamentada em evidência científica de ponta — não em estimativas genéricas.

Como se preparar para a injeção intraocular?

  • Não é necessário jejum — venha normalmente alimentado
  • Evite maquiagem nos olhos no dia do procedimento
  • Continue suas medicações habituais, salvo orientação contrária
  • Se possível, venha acompanhado — a pupila pode ser dilatada, deixando a visão temporariamente embaçada

Passo a passo do procedimento

  1. Consulta prévia: realizamos OCT e discutimos o diagnóstico, o medicamento indicado e o plano de tratamento
  2. Preparo: você deita na maca; aplicamos colírios anestésicos e antissépticos
  3. Limpeza: a região periocular é higienizada com povidona iodada — etapa fundamental para prevenir infecção
  4. Injeção: com uma agulha extremamente fina, aplicamos o medicamento em segundos. Você não vê a agulha e sente apenas uma leve pressão
  5. Pós-imediato: pode haver sensação de pressão por 10 a 15 minutos, que se dissipa espontaneamente

O procedimento inteiro — do preparo à saída — dura cerca de 30 minutos.

Cuidados após a injeção intraocular

  • Não coçar nem esfregar o olho nas primeiras 24 horas
  • Evitar mar, piscina e água não tratada por 5 a 7 dias
  • Usar os colírios prescritos conforme orientação (geralmente lubrificante e, em alguns casos, antibiótico)
  • Uma pequena mancha vermelha no branco do olho é comum e desaparece em poucos dias — é apenas um pequeno sangramento superficial, sem importância
  • Compareça à consulta de retorno agendada

O que não é normal após a injeção?

Procure atendimento imediatamente se notar:

  • Dor intensa no olho
  • Piora significativa da visão
  • Olho muito vermelho com secreção
  • Flashes de luz ou sombra no campo visual


Esses podem ser sinais de endoftalmite — infecção intraocular rara, mas que exige tratamento urgente.

Perguntas frequentes sobre injeção intraocular

A injeção no olho dói? Não. O colírio anestésico elimina a dor. A sensação mais comum é de leve pressão durante o procedimento, que dura segundos.

Com que frequência preciso fazer as injeções? Depende da doença e da resposta individual. No início do tratamento, geralmente é mensal. Com o tempo, o intervalo pode ser estendido conforme a resposta. Não existe um número fixo de aplicações.

Posso dirigir após a injeção? Preferivelmente não no mesmo dia, pois a pupila pode estar dilatada e a visão temporariamente embaçada.

Quantas injeções vou precisar ao longo da vida? Doenças crônicas como DMRI e edema macular diabético exigem tratamento continuado. Suspender por conta própria, sem avaliação médica, é um dos erros que mais levam à perda definitiva de visão.

A injeção pode causar catarata ou glaucoma? Os anti-VEGF têm baixo risco. Os implantes de corticoide têm maior risco de elevar a pressão ocular e acelerar catarata — por isso exigem monitoramento rigoroso.

Por que alguns médicos falam em “3 injeções” como se fosse um pacote fixo? Esse protocolo de curta duração tem origem nos primeiros ensaios clínicos dos anti-VEGF, que usavam fases de indução mensais antes de espaçar o tratamento. O que os estudos de longo prazo mostraram — incluindo os do grupo do Bascom Palmer — é que tratar com base em imagem (OCT a cada consulta) é mais eficaz e mais personalizado do que seguir um número fixo. Cada paciente responde de forma diferente, e essa resposta muda ao longo do tempo.



As injeções intraoculares são um dos maiores avanços da oftalmologia moderna. Na Clínica de Olhos Roisman, em Ipanema, o procedimento é realizado com toda a segurança, em ambiente adequado e com planejamento estratégico individualizado para cada caso. Agende sua avaliação.

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