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Retinopatia Diabética e Edema Macular: sintomas, fases e tratamentos

Escrito por Luiz Roisman

O diabetes é uma das principais causas de cegueira evitável no mundo. A retinopatia diabética — complicação ocular do diabetes — afeta milhões de brasileiros, muitos sem saber. O problema mais grave: nos estágios iniciais, ela não tem sintomas. Quando a visão começa a falhar, a doença já pode estar avançada.

O que é a retinopatia diabética?

É uma complicação do diabetes que danifica os pequenos vasos sanguíneos da retina. Com o tempo, o excesso de glicose torna esses vasos frágeis, levando a vazamentos, hemorragias e, nos casos mais graves, ao crescimento de vasos anormais que podem causar perda grave e irreversível da visão.

Quem está em risco?

  • Qualquer pessoa com diabetes tipo 1 ou tipo 2
  • O risco aumenta progressivamente com o tempo de doença — especialmente após 5 a 10 anos
  • Mau controle glicêmico acelera significativamente a progressão
  • Outros fatores: hipertensão arterial, colesterol alto, tabagismo, doença renal

Quais são as fases da retinopatia diabética?

Fase 1 — Retinopatia não proliferativa

Nesta fase, os vasos da retina sofrem pequenos danos: surgem microaneurismas, pequenas hemorragias e depósitos de gordura (exsudatos). Não há sintomas. É por isso que exames oftalmológicos regulares são obrigatórios para quem tem diabetes — o problema pode ser tratado muito mais facilmente aqui do que nas fases seguintes.

Fase 2 — Retinopatia proliferativa

A fase mais grave. Com a falta de oxigênio na retina, o organismo tenta compensar criando novos vasos — mas esses vasos são frágeis e malformados. Eles podem:

  • Romper e causar hemorragia vítrea (sangramento que turva a visão)
  • Formar cicatrizes que puxam a retina → descolamento tracional
  • Crescer no ângulo do olho e causar glaucoma neovascular

O que é o edema macular diabético?

O edema macular diabético (EMD) é o acúmulo de líquido na mácula por vazamento dos vasos doentes. É a principal causa de perda de visão em pacientes com diabetes e pode ocorrer em qualquer fase da retinopatia — ou mesmo isoladamente, antes de qualquer outra manifestação da doença na retina.

Um paciente pode ter apenas retinopatia sem edema, apenas edema macular, ou as duas condições simultaneamente. Tratam-se de problemas distintos que frequentemente coexistem e exigem abordagens complementares.

Como é feito o diagnóstico?

  • Mapeamento de retina: exame com pupila dilatada, essencial para avaliar todo o fundo do olho
  • OCT (tomografia de coerência óptica): detecta o edema macular com precisão e monitora a resposta ao tratamento

Uma nota sobre minha experiência com edema macular e angio-OCT: durante o research fellowship no Bascom Palmer Eye Institute com o Dr. Philip J. Rosenfeld, trabalhei extensamente com angio-OCT aplicada a doenças maculares — incluindo a análise de perfusão retiniana em pacientes com edema macular de diferentes causas. Os estudos nos quais colaborei, publicados nas melhores revistas científicas da área, ajudaram a estabelecer parâmetros de uso clínico dessa tecnologia para avaliar a microcirculação da mácula sem contraste injetável. Essa experiência é diretamente aplicada no acompanhamento dos nossos pacientes com retinopatia diabética e edema macular, permitindo decisões de tratamento mais fundamentadas e personalizadas.

Quais são os tratamentos disponíveis?

Injeções intraoculares

  • Anti-VEGF: a primeira linha para o edema macular diabético. Bloqueiam o vazamento vascular e reduzem o inchaço da mácula, melhorando a visão.
  • Implante de corticoide de liberação lenta: indicado em casos inflamatórios ou quando o anti-VEGF não tem resposta suficiente. Um único implante pode durar meses, mas exige monitoramento rigoroso da pressão ocular e da progressão da catarata.

Assim como na DMRI, o tratamento do edema macular diabético não se limita a 3 aplicações. É um acompanhamento contínuo, ajustado conforme a resposta individual de cada paciente.

Laser

  • Focal/grid: indicado quando o edema está fora do centro da visão ou como complemento às injeções
  • Panfotocoagulação (PRP): aplicação de laser em toda a periferia da retina para tratar a retinopatia proliferativa e reduzir o estímulo para crescimento de vasos anormais


Cirurgia (vitrectomia)

Indicada quando há hemorragia vítrea densa que não se absorve, ou descolamento tracional da retina.

Prevenção: o papel do paciente

A retinopatia diabética é em grande parte prevenível ou controlável com:

  • Controle glicêmico rigoroso (HbA1c no alvo)
  • Controle da pressão arterial
  • Controle do colesterol
  • Cessação do tabagismo


Exame oftalmológico anual com mapeamento de retina — mesmo sem sintomas

Perguntas frequentes sobre retinopatia diabética

Retinopatia diabética tem cura? Não tem cura, mas tem tratamento eficaz. Com controle glicêmico adequado e acompanhamento oftalmológico regular, é possível retardar muito a progressão e prevenir a perda grave de visão.

Quando devo fazer exames de retina se tenho diabetes? Ao diagnóstico do diabetes tipo 2, já deve ser feita a primeira avaliação. No tipo 1, a partir de 5 anos de doença. Após isso, exames anuais ou mais frequentes dependendo do quadro.

O diabetes tipo 2 também causa retinopatia? Sim. Tanto o tipo 1 quanto o tipo 2 causam retinopatia. O risco é especialmente alto quando o controle da glicemia é insatisfatório por anos.

Posso ficar cego por retinopatia diabética? Sem tratamento, sim. Com acompanhamento regular e tratamento adequado, a cegueira é evitável na grande maioria dos casos.

O que é a angio-OCT e para que serve no diabetes? É um exame de imagem que mapeia a circulação da retina com detalhes sem injeção de contraste. No contexto do diabetes, permite avaliar áreas de isquemia macular — regiões sem irrigação — que influenciam diretamente o prognóstico visual e a escolha do tratamento.



Se você tem diabetes, cuide dos seus olhos com o mesmo rigor com que controla a glicemia. Na Clínica de Olhos Roisman, em Ipanema, Rio de Janeiro, oferecemos avaliação completa com mapeamento de retina, OCT e angio-OCT. Agende sua consulta preventiva.

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