A Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) é uma das principais causas de perda de visão central em pessoas acima de 50 anos. Na forma seca, que é a mais comum, a doença é caracterizada pela deterioração gradual da mácula, uma região crucial da retina responsável por detalhes finos da visão.
Recentemente, o tratamento com fotobiomodulação tem sido divulgado como uma possível solução para pacientes que buscam desacelerar a progressão da DMRI seca e preservar a visão. Apesar do entusiasmo do fabricante do dispositivo, é importante examinar as evidências científicas com cautela para entender se esse método realmente oferece benefícios.
Este texto aborda de forma simples e acessível o que é a fotobiomodulação, como ela teoricamente funciona, os resultados dos estudos mais recentes e por que ela ainda não é considerada uma solução confiável, com base em uma revisão científica robusta publicada em 2024, da qual o Dr. Luiz Roisman foi coautor, e que teve muita repercussão na comunidade de especialistas em retina no país:
A fotobiomodulação utiliza luzes de baixa intensidade – como a luz vermelha e infravermelha – para estimular as mitocôndrias, que são as estruturas responsáveis pela produção de energia nas células. No caso da DMRI seca, o tratamento é teoricamente projetado para melhorar a função celular, reduzir inflamações e combater o estresse oxidativo, fatores que contribuem para a degeneração da mácula.
O objetivo principal seria desacelerar a progressão da DMRI seca para estágios mais avançados, como a atrofia geográfica, onde a perda da visão central é severa. O tratamento seria indicado para pacientes nos estágios iniciais ou intermediários da doença.
No entanto, apesar de sua base teórica ser atraente, a eficácia clínica da fotobiomodulação em pacientes com DMRI seca ainda é um assunto de debate significativo.
Uma revisão científica avaliou os resultados de três estudos randomizados envolvendo 247 olhos tratados com fotobiomodulação. Os achados foram os seguintes:
Embora alguns resultados pareçam promissores em um primeiro momento, as evidências apresentam sérias limitações:
Esses fatores tornam os resultados insuficientes para recomendar a fotobiomodulação como um tratamento válido.
1. O tratamento cura a DMRI seca?
Não. Atualmente, não existe cura para a DMRI seca, e a fotobiomodulação não demonstrou ser eficaz para interromper ou reverter a progressão da doença.
2. O tratamento é seguro?
Teoricamente sim. A fotobiomodulação é considerada segura, pois não houve efeitos colaterais importantes nos estudos, mas segurança não equivale a eficácia. Isso significa que, embora o procedimento não apresente efeitos colaterais graves, os benefícios reais ainda não foram comprovados.
3. Quantas sessões são necessárias?
O número varia de acordo com o protocolo adotado, mas geralmente envolve várias sessões ao longo de semanas ou meses. No entanto, a eficácia dessas sessões permanece em debate.
4. Vale a pena tentar a fotobiomodulação?
Com base nas evidências disponíveis, não há justificativa científica suficiente para investir neste tratamento neste momento. É mais prudente focar em métodos comprovados e em hábitos saudáveis para preservar a visão.
5. A fotobiomodulação pode ser usada junto com outros tratamentos?
Sim. Não há interferência com outras medidas terapêuticas, como o uso de vitaminas antioxidantes e mudanças no estilo de vida.
Infelizmente, as evidências científicas atuais não sustentam sua eficácia clínica. A recomendação atual é que pacientes e médicos adotem cautela em relação à fotobiomodulação e aguardem por estudos mais amplos e confiáveis antes de considerá-la como uma opção viável de tratamento
Por isso, não recomendamos o uso da fotobiomodulação para pacientes com DMRI seca em nenhum estágio da doença.
Enquanto não há tratamentos eficazes para DMRI seca, algumas mudanças no estilo de vida podem ajudar a preservar a visão:
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