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DMRI: O que é, como identificar os sintomas e quais são os melhores tratamentos?

Escrito por Luiz Roisman

A Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) é uma condição ocular muito comum que pode impactar gravemente a visão, especialmente em pessoas acima dos 50 anos. Ela afeta a mácula, a área central da retina, responsável pela visão central, detalhes finos e cores. Quando ela é danificada, surgem sintomas como embaçamento, distorções ou até manchas escuras na visão. Essa doença pode levar à perda progressiva da visão central – aquela que utilizamos para atividades como ler, dirigir, ou reconhecer rostos.

Embora a DMRI não cause cegueira total, já que a visão periférica geralmente é preservada, ela pode limitar drasticamente a qualidade de vida se não for diagnosticada e tratada a tempo. 


Tipos de DMRI?

Existem dois tipos principais de DMRI, que se manifestam de formas diferentes:

 1. DMRI seca

  • Prevalência: É a forma mais comum, representando cerca de 85% a 90% dos casos.
  • Características: Na DMRI seca, ocorre o desgaste e o afinamento gradual das células da mácula, levando a uma perda lenta da visão central.
  • Progressão: Ocorre de forma lenta e progressiva, devido ao desgaste e à deterioração das células da mácula. Caso ela continue progredindo dentro da forma seca pode desenvolver a forma atrófica, com dano permanente às células da retina e que pode levar à perda da visão central.
  • Sintomas: Dificuldade para enxergar detalhes, necessidade de mais luz para ler e, em casos avançados, a formação de uma mancha escura na visão central.


2. DMRI úmida (neovascular)

  • Prevalência: Embora menos comum, é responsável por cerca de 10% a 15% dos casos.
  • Características: A DMRI úmida ocorre quando há o crescimento de vasos sanguíneos anormais sob a mácula. Esses vasos podem vazar sangue e fluidos, causando edema (inchaço) e danos mais rápidos e severos à retina.
  • Progressão: É a forma mais agressiva, podendo causar perda significativa da visão central em pouco tempo se não tratada. Nas fases finais forma-se uma cicatriz macular, quando não há mais atividade da doença a ser tratada, apenas uma cicatriz final. Neste estágio não há mais espaço para melhora da visão.
  • Sintomas: Visão distorcida (linhas que parecem onduladas), manchas escuras no centro do campo visual e diminuição na percepção de cores.


Identificar o tipo e o estágio da DMRI é essencial para determinar o tratamento mais adequado. Vamos entender agora os sintomas que podem indicar essa condição.

Neste exemplos vemos 3 fases da DMRI (seca com drusas; seca com atrofia e úmida) em comparação com um olho normal. À esquerdo temos retinografias (fotos da retina) e à direita OCTs (tomografias da retina).


Como saber se tenho DMRI?

A DMRI pode começar de forma silenciosa, sem causar sintomas aparentes nas fases iniciais. No entanto, com o tempo, algumas mudanças na visão podem ser percebidas.

Sintomas mais comuns de DMRI

  • Distorção visual: Linhas retas, como os rejuntes de azulejos ou molduras de portas e janelas, começam a parecer onduladas ou tortas.
  • Visão embaçada: Detalhes finos, como letras em um livro ou no celular, ficam difíceis de enxergar, mesmo com óculos ou lentes corretivas.
  • Mancha escura no centro da visão: Uma área “borrada” ou “sombra” pode surgir bem no meio do campo de visão, dificultando atividades como ler ou reconhecer rostos.
  • Sensibilidade à luz: Pode ser desconfortável olhar para ambientes muito iluminados.
  • Dificuldade para reconhecer rostos: Um sintoma que gera muita preocupação em familiares e amigos.

Esses sintomas podem ser confundidos com outras condições oculares, como a catarata. Por isso, é fundamental procurar um oftalmologista assim que notar qualquer alteração na visão.


Quem pode ter DMRI?

Embora qualquer pessoa possa desenvolver DMRI, alguns fatores aumentam significativamente o risco de desenvolver a doença. Aqui estão os principais fatores de risco:

  1. Idade avançada: A DMRI é mais comum após os 50 anos, principalmente após 60 anos, e sua prevalência aumenta com o passar dos anos.
  2. Histórico familiar: Pessoas com parentes próximos diagnosticados com DMRI têm maior probabilidade de desenvolver a doença.
  3. Tabagismo: O cigarro é um dos principais fatores de risco para DMRI, pois prejudica a circulação ocular e aumenta o estresse oxidativo.
  4. Exposição ao sol: A radiação UV sem proteção pode danificar a retina ao longo do tempo.
  5. Má alimentação: Dietas pobres em nutrientes antioxidantes, como frutas, vegetais de folhas verdes e peixes ricos em ômega-3, podem contribuir para o desenvolvimento da DMRI.
  6. Obesidade e sedentarismo: Esses fatores também estão relacionados à progressão da doença.


Agora que sabemos quem está mais propenso a desenvolver a condição, vamos entender como ela pode ser diagnosticada.


Como é feito o diagnóstico da DMRI?

Um diagnóstico precoce é essencial para conter a progressão da DMRI e proteger a visão.

Exames mais comuns para DMRI

  1. Tomografia de Coerência Óptica (OCT): Um exame de imagem detalhado, que cria cortes transversais da retina para identificar alterações na mácula. Este é o exame mais importante no diagnóstico e acompanhamento de DMRI.
  2. ANGIO – Tomografia de Coerência Óptica (OCTA ou AngioOCT): Um exame de imagem avançado, que detecta toda a vascularização da retina sem o uso de corante ou contraste em apenas alguns segundos. Vem sendo cada vez mais usado na avaliação desta doença.
  3. Exame de fundo de olho: Permite ao oftalmologista visualizar diretamente a mácula e avaliar se há sinais de DMRI. Exame simples que traz muitas informações e é suficiente para o diagnóstico inicial. Deveria ser realizado em qualquer exame de rotina, independentemente da queixa visual.
  4. Angiografia fluoresceínica: Utiliza um corante especial para analisar os vasos sanguíneos da retina, detectando vazamentos ou vasos anormais. Cada vez menos utilizado pois o uso de corante venoso traz riscos de alergia e desconforto além de ter perdido muito espaço após o surgimento do AngioOCT (ou OCTA).

O Dr. Luiz Roisman é um renomado pesquisador especializado em OCT e AngioOCT (OCTA), com ampla experiência em diagnósticos e estudos relacionados às doenças da mácula. Ele realizou um prestigioso fellowship no Bascom Palmer Institute, nos Estados Unidos, com foco em OCT, AngioOCT e condições que afetam a mácula, consolidando sua expertise na área.

Ao longo de sua carreira, o Dr. Roisman publicou diversos artigos científicos em revistas de grande impacto, especialmente voltados para o estudo da DMRI e outras doenças retinianas.

Para conhecer as publicações científicas envolvendo tomografia e doenças da mácula do Dr. Luiz Roisman, acesse o link abaixo, que direciona ao PubMed, o principal agregador de pesquisas médicas do mundo:

Link: Publicações indexadas no PubMed


Quais são os melhores tratamentos para DMRI?

Após o diagnóstico, o tratamento adequado dependerá do tipo e da gravidade da DMRI. Vamos detalhar as principais abordagens terapêuticas. 

Tratamentos para DMRI seca

Embora não exista cura para a DMRI seca, algumas intervenções ajudam a retardar sua progressão:

  • Suplementação com antioxidantes: Estudos como AREDS (Age-Related Eye Disease Study) comprovaram que uma combinação de vitaminas (C, E), zinco, cobre, luteína e zeaxantina pode proteger a mácula contra danos adicionais. Existem comprimidos específicos no mercado, mas é importante a recomendação do médico pois a maioria NÃO tem a dosagem adequada.
  • Adaptação no estilo de vida: Parar de fumar, adotar uma dieta rica em vegetais verdes e peixes, e proteger os olhos da luz UV podem fazer uma grande diferença.


Fotobiomodulação:
esta é uma terapia nova controversa que vem causando muita confusão dentro da própria classe médica. A fotobiomodulação é uma terapia não invasiva que utiliza luz em comprimentos de onda específicos (como o infravermelho e o vermelho) para estimular processos biológicos e teoricamente promover a regeneração celular. Porém, o resultado dos estudos não foi muito animador. Um grupo de pesquisadores do qual faço parte fez uma revisão detalhada sobre este tratamento e, numa publicação histórica até o momento, demonstrou a falta de eficácia deste tratamento:

Tratamentos para DMRI úmida

A DMRI úmida é mais agressiva, mas os avanços na medicina trouxeram opções altamente eficazes:

  1. Injeções intravítreas (anti-VEGF): 
    • Medicamentos atualmente disponíveis como AVASTIN (bevacizumabe), VABYSMO (faricimabe) e EYLIA (aflibercepte) bloqueiam o crescimento de vasos sanguíneos anormais na retina, controlando a progressão da doença e o inchaço da mácula.
    • As injeções são feitas em salas de procedimento, com materiais estéreis, de forma rápida e indolor, saiba tudo sobre as injeções no blog VABYSMO (faricimabe).
    • O tratamento tem uma frequência correta que deve ser preservada para cada paciente. Ou seja, pacientes com doenças mais graves ou resistentes devem fazer a injeção de forma mensal. Casos que respondem ao tratamento podem estender o intervalo até 3 ou 4 meses entre as aplicações. Após este largo intervalo é possível tentar interromper o tratamento com segurança. Não fazer intervalos irregulares é mandatório para o sucesso do tratamento.
    • É muito importante que seu médico seja especialista em retina ou vinculado à SBRV (Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo). É uma forma de certificar que o melhor tratamento está sendo realizado.
  1. Terapia fotodinâmica:
    • Combina o uso de um corante e laser para tratar vasos sanguíneos anormais.
    • Pouquíssima utilizada após o surgimento das injeções.
  1. Fotocoagulação a laser:
    • Em casos muito específicos, o laser é usado para selar vasos sanguíneos danificados.



5 dicas para cuidados diários para conviver bem com a DMRI

Além do tratamento médico, algumas medidas podem ajudar pacientes com DMRI a manterem sua independência e qualidade de vida:

  • Use iluminação adequada em casa para reduzir o esforço visual e facilitar a leitura. Luz de teto não serve, tem que ser fonte direta de iluminação!
  • Aposte em tecnologias assistivas, como lupas eletrônicas, tablets, aplicativos de leitura.
  • Mantenha a casa organizada para que seja fácil para o paciente encontrar os objetos. Por exemplo, o controle remoto deve estar sempre no mesmo local, alimentos na geladeira organizados sempre no mesmo local para que seja fácil encontrar as coisas, etc
  • Tenha consultas regulares com o oftalmologista para monitorar a progressão da doença.
  • Cuide da saúde geral: manter pressão arterial e colesterol controlados também protege a visão.


Clínica Roisman: Especialistas no cuidado da sua visão

Na Clínica Roisman, contamos com especialistas em retina e mácula para oferecer o diagnóstico preciso e os tratamentos mais avançados para a DMRI. Se você está preocupado com mudanças na visão, não perca tempo: agende uma consulta com nossa equipe.

Aqui, você terá acesso a:

  • Diagnósticos detalhados e personalizados.
  • Tratamentos baseados nas evidências mais recentes.
  • Atenção especializada para preservar sua visão.


Proteja sua visão. Procure ajuda especializada. Estamos aqui para cuidar de você!
 

 


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