Com o retorno às aulas, a saúde ocular infantil ganha destaque, especialmente diante da alta frequência de alterações visuais como miopia, hipermetropia e astigmatismo, muitas vezes silenciosas. A oftalmologista Dra. Júlia Rossetto, presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica, ressalta que a maioria das crianças não apresenta queixas, o que torna essencial a observação atenta dos pais e o diagnóstico precoce. Segundo ela, a falta de estímulo visual adequado na infância pode comprometer o desenvolvimento da visão e levar a problemas irreversíveis, como a ambliopia (“olho preguiçoso”), reforçando a importância de exames oftalmológicos regulares desde os primeiros meses de vida.
A Dra. Júlia também alerta para sinais que podem indicar dificuldade visual, como a criança não enxergar o quadro na escola, aproximar excessivamente livros, apertar os olhos para ver de longe ou reconhecer pessoas apenas a curta distância. Outro ponto central destacado pela médica é o uso excessivo de telas, associado ao aumento do risco de miopia, olho seco e até estrabismo. As recomendações incluem evitar totalmente telas antes dos 2 anos, limitar o tempo diário conforme a idade, não usar telas durante as refeições e desligá-las uma a duas horas antes de dormir.
Entre as orientações práticas aos pais, destacam-se ainda os cuidados com maquiagem infantil, que deve ser sempre própria para crianças, hipoalergênica, aprovada pela Anvisa e usada corretamente, sem compartilhamento ou produtos vencidos. A cartilha do CBO reforça a necessidade de acompanhar os marcos do desenvolvimento visual, procurar um oftalmologista diante de sinais de alerta, manter o acompanhamento em caso de uso de óculos ou lentes e adotar medidas de prevenção de acidentes, como proteger os olhos do sol, evitar produtos químicos ao alcance das crianças e ensinar hábitos básicos de higiene ocular.
