A degeneração macular relacionada à idade – DMRI – é a principal causa de perda de visão central em pessoas acima de 60 anos no mundo. Mas com diagnóstico precoce e tratamento adequado, é possível controlar a doença, preservar a visão e manter a autonomia por muitos anos. Entenda tudo sobre ela.
A DMRI é uma doença crônica que afeta a mácula — a região central da retina responsável por ler, reconhecer rostos e enxergar detalhes. Com o envelhecimento, células da mácula se deterioram progressivamente, comprometendo a visão central. A visão periférica (lateral) costuma ser preservada.
DMRI seca (não exsudativa) — a mais comum
Representa cerca de 85% dos casos. Evolui de forma lenta, com acúmulo de depósitos chamados drusas sob a retina. Nem sempre causa grande impacto visual nos estágios iniciais, mas pode progredir para atrofia geográfica — uma perda de células definitiva e progressiva na mácula.
Ocorre quando vasos sanguíneos anormais crescem sob a retina e vazam líquido ou sangue, causando perda rápida e significativa da visão central. Tem tratamento — e quanto mais rápido iniciado, melhor o resultado.
Quais são os sintomas da DMRI?
Um detalhe importante: a DMRI costuma afetar os dois olhos, mas de forma assimétrica. Como o olho menos afetado compensa o outro, muitos pacientes só percebem o problema quando o quadro já está avançado. Por isso, o teste de Amsler — uma grade simples que você pode usar em casa cobrindo um olho de cada vez — é uma ferramenta valiosa para monitorar a visão central.
Quais são os fatores de risco da DMRI?
Utilizamos exames de alta resolução, com especial atenção à angio-OCT — tecnologia que mapeia os vasos da retina e da coroide em detalhes sem a necessidade de injeção de contraste venoso.
Uma nota sobre minha experiência com DMRI e angio-OCT: entre 2015 e 2016, realizei um research fellowship como PhD associate no Bascom Palmer Eye Institute, em Miami — consistentemente rankeado entre os melhores institutos de oftalmologia do mundo. Trabalhei diretamente com o Dr. Philip J. Rosenfeld, um dos maiores especialistas em DMRI do planeta e pioneiro no uso de anti-VEGF para degeneração macular. Nesse período, participei de estudos sobre o uso de técnicas de imagem modernas e complexas para detectar vasos anormais em pacientes que ainda não tinham perdido visão, antes que o dano fosse irreversível. Essa experiência moldou diretamente a forma como avalio e acompanho pacientes com DMRI na clínica hoje.
DMRI úmida: injeções intraoculares (anti-VEGF)
O tratamento-padrão são as injeções intravítreas de anti-VEGF — medicamentos que bloqueiam o crescimento de vasos anormais e reduzem o líquido sob a retina. O procedimento é rápido, indolor e realizado em ambiente seguro com anestesia local.
Temos hoje quatro medicamentos disponíveis. A escolha do mais adequado e o ajuste dos intervalos entre aplicações fazem diferença significativa nos resultados a longo prazo.
Importante: não existe um “pacote fixo” de 3 aplicações. A DMRI úmida exige acompanhamento contínuo e estratégico — o médico avalia a resposta de cada paciente com OCT e ajusta o tratamento individualmente. Esse raciocínio foi em grande parte desenvolvido e validado pelos estudos do grupo do Bascom Palmer nos quais participei, que mostraram como o monitoramento por imagem pode guiar intervalos de tratamento com mais precisão e menos injeções desnecessárias.
Nos casos de atrofia geográfica avançada, já contamos com medicamentos injetáveis que retardam a progressão da atrofia em cerca de 20%. Não recuperam o tecido já perdido, mas ajudam a preservar a visão útil por mais tempo.
Atenção: a fotobiomodulação (uso de luzes específicas) tem sido promovida como tratamento para DMRI seca, mas os estudos científicos atuais são inconsistentes e não sustentam sua eficácia. Não recomendamos essa abordagem.
Como prevenir ou retardar a DMRI?
Exames oftalmológicos anuais a partir dos 50 anos, ou mais frequentes se houver fatores de risco.
DMRI tem cura? A DMRI seca não tem cura, mas pode ser controlada e sua progressão retardada. A DMRI úmida tem tratamento eficaz com injeções que, em muitos casos, estabiliza ou melhora a visão.
Quantas injeções são necessárias para tratar a DMRI? Não há um número fixo. O tratamento é individualizado e contínuo. Suspender as injeções sem acompanhamento médico é um dos erros mais comuns e pode levar à perda irreversível da visão.
Quem tem DMRI fica cego? Nem sempre. A DMRI afeta a visão central, mas preserva a visão periférica. Com tratamento adequado, a maioria dos pacientes mantém independência funcional.
A partir de que idade devo fazer exames para DMRI? A partir dos 50 anos, especialmente se houver fatores de risco como tabagismo ou histórico familiar. Quanto mais precoce o diagnóstico, maior o controle sobre a doença.
O que é a angio-OCT e por que é importante para DMRI? A angio-OCT é um exame de imagem que mapeia os vasos da retina sem injeção de contraste. Ela permite detectar vasos anormais ainda sem sintomas — o que muda radicalmente o prognóstico. É o exame que uso sistematicamente no acompanhamento de pacientes com DMRI.
A DMRI exige acompanhamento especializado e contínuo. Na Clínica de Olhos Roisman, em Ipanema, realizamos diagnóstico de precisão com OCT e angio-OCT e oferecemos tratamento individualizado com os medicamentos mais modernos disponíveis. Agende sua avaliação.

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